A inteligência artificial está assumindo um papel cada vez mais estratégico na indústria aeroespacial, acelerando o desenvolvimento de motores, aprimorando processos de fabricação e elevando os padrões de qualidade na produção de componentes aeronáuticos. Um estudo de caso do Bipartisan Policy Center (BPC) destaca a GE Aerospace como um dos principais exemplos de como a tecnologia vem sendo incorporada ao setor para aumentar a eficiência e a competitividade.


Segundo o levantamento, a fabricante utiliza diferentes modalidades de inteligência artificial — preditiva, generativa e física — ao longo de praticamente toda a cadeia de produção. As aplicações vão desde o projeto de peças e sistemas aeronáuticos até a manufatura, inspeção, manutenção e logística, permitindo que processos antes realizados manualmente sejam executados com maior rapidez, precisão e consistência.

Uma das iniciativas mais recentes da empresa envolve o uso de inteligência artificial generativa para acelerar o desenvolvimento de motores aeronáuticos. A tecnologia reduziu significativamente o tempo necessário para determinadas etapas de engenharia, permitindo que equipes técnicas avaliem soluções e desenvolvam novos projetos de forma mais ágil.

Na manufatura, a inteligência artificial também vem transformando o controle de qualidade. Sistemas inteligentes auxiliam na inspeção de peças críticas, identificando possíveis defeitos com maior precisão e garantindo mais uniformidade nas análises. O resultado é um processo produtivo mais eficiente, com redução de retrabalho e maior confiabilidade dos componentes destinados à aviação.


Antes de implantar essas soluções em larga escala, a GE Aerospace desenvolve e valida cada nova tecnologia no Service Technology Acceleration Center (STAC), em Evendale, próximo à sede da empresa, na região metropolitana de Cincinnati. O centro é responsável por testar novos processos de fabricação e aplicações de inteligência artificial antes que eles sejam incorporados às operações globais da fabricante.

O estudo ressalta que a adoção da IA não ocorreu de forma indiscriminada. A empresa optou por implementar as ferramentas apenas em áreas onde a tecnologia demonstrou ganhos concretos de produtividade, qualidade e eficiência operacional. Após validar os resultados, as soluções passaram a ser disponibilizadas às equipes diretamente envolvidas em cada atividade, preservando a integração entre o conhecimento humano e os novos recursos digitais.
A chegada da inteligência artificial também está redefinindo algumas funções dentro das fábricas. Inspetores e técnicos passaram a operar sistemas robotizados e ferramentas inteligentes, concentrando seu trabalho em análises complexas e decisões técnicas, enquanto atividades repetitivas são executadas com o apoio da automação. Na prática, a tecnologia amplia a capacidade dos profissionais, em vez de substituir sua experiência.

Para o Bipartisan Policy Center, a experiência da GE Aerospace demonstra que a inteligência artificial tende a se consolidar como uma ferramenta essencial para a indústria aeroespacial. Quando aplicada de forma estratégica e acompanhada de treinamento adequado, a tecnologia acelera a inovação, melhora a qualidade da produção e contribui para o desenvolvimento de aeronaves e motores cada vez mais eficientes, reforçando a competitividade do setor.

Fonte: Aeroflap