O Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR) concluiu a aquisição da plataforma aeroportuária da Motiva, marcando oficialmente a entrada da companhia no mercado brasileiro. Avaliada em R$ 5,1 bilhões, a operação representa a maior expansão internacional da história da ASUR e adiciona ao portfólio do grupo participações em 20 aeroportos, sendo 17 no Brasil e três no exterior.
A partir desta terça-feira (1º), a ASUR assume as operações previstas na transação no Brasil. Segundo a companhia, a mudança ocorre com continuidade operacional, sem alterações nas equipes e na estrutura dos aeroportos.
Os ativos incorporados movimentaram mais de 48 milhões de passageiros em 2025, alta de 6,1% em relação ao ano anterior, e estão conectados a mais de 200 rotas regulares. Esse volume será somado aos 71,6 milhões de passageiros movimentados anualmente pela atual rede administrada pela ASUR.
Com a aquisição, o grupo passa a ter uma plataforma aeroportuária com movimentação superior a 120 milhões de passageiros por ano, reforçando sua posição entre os maiores operadores aeroportuários das Américas.
“O Brasil ocupa uma posição central na estratégia de crescimento da ASUR. A aquisição amplia nossa presença em um dos mercados aéreos mais relevantes do mundo e combina ativos de alta qualidade, escala operacional e oportunidades de desenvolvimento de longo prazo”, afirma Adolfo Castro, CEO do Grupo ASUR desde 2011.
ASUR mantém equipes e estrutura operacional
A transição foi estruturada para preservar a continuidade dos serviços nos aeroportos. Cerca de 1.000 profissionais que já trabalhavam na plataforma aeroportuária no Brasil permanecem nas operações e passam a integrar a estrutura global da ASUR.
A companhia afirma que a manutenção das equipes permitirá preservar o conhecimento técnico e a experiência acumulada em cada aeroporto, além dos vínculos estabelecidos com as comunidades locais.
José Formoso foi nomeado CEO da ASUR Brasil. O executivo possui mais de 30 anos de experiência nos setores de infraestrutura, telecomunicações, tecnologia e inovação e vive no Brasil há mais de duas décadas.
Antes de assumir a nova posição, Formoso comandou empresas como Embratel e Claro Empresas.
“Nossa primeira prioridade é assegurar uma transição estável, segura e próxima das pessoas. A permanência das equipes preserva o conhecimento de cada aeroporto e garante a continuidade do atendimento a passageiros, companhias aéreas, parceiros e comunidades”, afirma o executivo.
17 aeroportos brasileiros
A entrada da ASUR no Brasil cria uma rede distribuída pelas cinco regiões do país, abrangendo capitais, destinos turísticos, centros industriais e logísticos, áreas ligadas ao agronegócio e cidades próximas às fronteiras com o Mercosul.
Os aeroportos brasileiros incluídos na operação são:
- Bagé (RS) — Aeroporto Internacional de Bagé (BGX)
- Belo Horizonte/Confins (MG) — Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (CNF)
- Belo Horizonte/Pampulha (MG) — Aeroporto de Belo Horizonte/Pampulha (PLU)
- Curitiba (PR) — Aeroporto Internacional Afonso Pena (CWB)
- Curitiba/Bacacheri (PR) — Aeroporto de Bacacheri (BFH)
- Foz do Iguaçu (PR) — Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu (IGU)
- Goiânia (GO) — Aeroporto de Goiânia (GYN)
- Imperatriz (MA) — Aeroporto de Imperatriz (IMP)
- Joinville (SC) — Aeroporto de Joinville (JOI)
- Londrina (PR) — Aeroporto de Londrina (LDB)
- Navegantes (SC) — Aeroporto Internacional de Navegantes (NVT)
- Palmas (TO) — Aeroporto de Palmas (PMW)
- Pelotas (RS) — Aeroporto Internacional de Pelotas (PET)
- Petrolina (PE) — Aeroporto de Petrolina (PNZ)
- São Luís (MA) — Aeroporto de São Luís (SLZ)
- Teresina (PI) — Aeroporto de Teresina (THE)
- Uruguaiana (RS) — Aeroporto Internacional de Uruguaiana (URG)
No caso de Confins, a ASUR passa a ocupar a posição anteriormente detida pela Motiva no bloco privado da BH Airport. A aquisição adicional de uma participação de 12,75% pertencente à Zurich Airport na concessionária ainda depende dos trâmites regulatórios para ser concluída.
Expansão internacional
Com a aquisição, o Brasil passa a integrar uma plataforma internacional que já reúne operações e participações em diversos mercados.
No México, a ASUR opera nove aeroportos na região sudeste, incluindo o Aeroporto Internacional de Cancún. Na Colômbia, são seis aeroportos no norte do país, entre eles o Aeroporto Internacional José María Córdova, que atende Medellín e sua região metropolitana.
O grupo também possui participação de 60% na concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional Luis Muñoz Marín, em San Juan, Porto Rico, além de participação de 46,5% na concessionária do Aeroporto Internacional de Quito, no Equador.
Na Costa Rica e em Curaçao, a companhia controla as concessionárias responsáveis pelos aeroportos internacionais de San José e Curaçao.
Nos Estados Unidos, a ASUR mantém presença comercial e de serviços para passageiros em terminais dos aeroportos de Los Angeles (LAX), Nova York (JFK) e Chicago O’Hare (ORD).
Fundado em 1998 e sediado no México, o Grupo ASUR se tornou, em 2000, a primeira operadora aeroportuária do mundo a ter ações negociadas simultaneamente na Bolsa de Valores de Nova York e na Bolsa Mexicana de Valores.
A entrada no Brasil amplia significativamente a escala da companhia e coloca a ASUR entre os principais grupos privados de infraestrutura aeroportuária com atuação no país.