A companhia aérea americana Delta Air Lines anunciou que vai comprar 20% da chileno-brasileira Latam por 1,9 bilhão de dólares, ou 16 dólares por ação. Além desse valor, a Delta vai ainda injetar 350 milhões de dólares na Latam, totalizando 2,25 bilhão de dólares pela operação.

Para a aquisição, a Delta afirmou que planeja vender sua fatia minoritária de 9% na companhia aérea brasileira Gol. O valor da participação também será pago com emissão de dívida e recursos em caixa, de acordo com a agência Reuters.

Os recibos de ações da Gol (ADRs) negociadas depois do fechamento do mercado na bolsa de Nova York caíam 9,4% às 18h50, pouco após o anúncio do acordo. Os recibos da Latam subiam 43,5% em Nova York no mesmo horário.

A operação criará uma super força regional e ampliará a participação da companhia estadunidense no mercado da América Latina, mercado no qual a Latam é a maior companhia aérea. A Latam oferece na região tanto voos internacionais quanto rotas domésticas em países como Chile, Brasil, Colômbia, Peru, Argentina e Equador.

No Brasil, a Latam tem 69,5% de participação nos voos internacionais, no acumulado do primeiro semestre de 2019, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil. No mercado doméstico, a Latam é a segunda maior, com 32% de participação, atrás de 37% da Gol. A empresa foi criada após fusão da chilena LAN com a brasileira TAM, em 2012 — o nome mudou em 2015 e a fusão foi completada no ano seguinte.

A compra é o maior investimento da Delta desde a fusão com a Northwest Airlines, em 2008. Ainda assim, a Delta vinha realizando nos últimos anos uma série de aquisições menores visando a expansão para novos mercados, comprando participação em empresas como a mexicana Aeromexico, a francesa Air France-KLM e a sul-coreana Korean Air Lines.

Ao comprar participação na Latam, a Delta passa à frente de sua rival americana, a American Airlines, que também estava interessada em comprar uma participação na Latam, com quem já tinha um acordo de transporte de passageiros (code share).

“A aliança com a Delta fortalece nossa empresa e nossa liderança na América Latina, ao oferecer a melhor conectividade por meio de nossas redes de rotas que são altamente complementares”, disse em comunicado o presidente da Latam, Enrique Cueto Plaza. Plaza, que está na antiga LAN desde 1993 e há 20 anos como presidente, anunciou no último dia 10 de setembro que deixará o comando da Latam em seis meses.

A Delta afirmou que a transação não irá interferir em seu fluxo de caixa ou no pagamento de dividendos da companhia.

A operação ainda precisará ser aprovada por órgãos reguladores no Chile e nos Estados Unidos, processo que pode demorar de um a dois anos, segundo informou à agência Bloomberg o presidente da Delta, Ed Bastian.

Fonte: Exame 27/09/2019

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