As companhias aéreas ao redor do mundo vão precisar de um montante entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões em ajuda governamental para não quebrarem com a crise de coronavírus. A conclusão é da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), que reúne as 300 maiores companhias do setor ao redor do mundo.

A projeção acontece após uma consultoria australiana de aviação prever que a maioria das empresas aéreas podem quebrar até o fim de maio por conta da pandemia.

Os números da IATA também vão na mesma direção: a associação afirma que cerca de 75% das companhias aéreas ao redor do mundo têm caixa para bancar apenas entre um e três meses de suas despesas.

“Nestes tempos extraordinários, pedimos aos governos para tomar algumas medidas extraordinárias”, afirmou Alexandre de Juniac, presidente da IATA, em coletiva de imprensa nesta terça-feira (17).

A associação listou uma série de medidas que espera que os principais governos ao redor do mundo tomem para evitar que as empresas entrem em colapso. Uma delas é a suspensão das regras para manutenção de ‘slots’ (horários de pouso e decolagem) nos aeroportos. A União Europeia e o Brasil concederam a flexibilidade das regras até junho. Mas a IATA pede a extensão até o fim do ano.

A associação, no entanto, afirma que flexibilizar as regras não basta, é preciso também socorro financeiro. Por isso, montou uma lista com as três principais medidas financeiras que os governos precisam tomar.

A primeira seria o suporte financeiro direto para compensar receitas pedidas com a redução dos voos. A segunda seria empréstimos, garantias de empréstimos e suporte ao mercado de títulos corporativos pelo governo ou pelo Banco Central, diretamente à companhia aérea ou aos bancos comerciais que possam relutar em conceder crédito às companhias aéreas. Por fim, a terceira medida seria a isenção de impostos  — com descontos ou suspensão de todas das taxas para 2020.

Companhias ao redor do mundo

No momento, a maioria das companhias aéreas ao redor do mundo têm adotado medidas para preservar o caixa. Além de cortar voos, muitas estruturaram programas de demissão ou férias voluntárias e negociam empréstimos com bancos. Mas a maioria aguarda um auxílio adicional do governo.

As companhias aéreas chinesas estão sendo capitalizadas pelo estado. Pequim já anunciou um pacote de US$ 3 bilhões apenas para compensar as perdas das empresas no mês de fevereiro.

Na Europa, o grupo alemão Lufthansa está conversando com governos para obter um suporte financeiro. Já nos Estados Unidos, na segunda-feira (16) as empresas americanas exigiram mais de US$ 50 bilhões do governo.

No Brasil, as aéreas estão entre as maiores afetadas na Bolsa desde o início da pandemia e aguardam um pacote do governo para auxiliá-las.

Até agora, a empresa mais afetada pelo coronavírus foi a britânica Flybe, que encerrou suas operações no dia 05 de março. A companhia, que operava no mercado há 40 anos, já passava por uma grave crise financeira e os problemas se agravaram com a forte queda na demanda por viagens. O colapso da companhia deve afetar profundamente o mercado britânico, já que a aérea operava quase 40% de todos os voos regionais no país.

Fonte: Info Money 18/03/2020

 

  : aviacao-comercial, brasil, internacional