A Boeing confirmou que suspenderá a produção da família 737 MAX a partir de janeiro de 2020. A medida ocorre após as autoridades de aviação dos Estados Unidos afirmarem que a recertificação não ocorrerá em 2019.

A expectativa da Boeing era que o avião pudesse retornar aos céus até o final do mês, mas uma série de novos procedimentos devem postergar a data para o início de 2020, levando a retomada comercial dos voos para meados de abril. O cronograma deverá manter o 737 MAX distante dos céus por mais de um ano, o maior tempo já registrado neste tipo de caso. O 787 Dreamliner ficou proibido de voar entre janeiro e abril de 2013, um prazo quase quatro vezes menor que o atual cenário previsto para o 737 MAX.

A suspensão da produção ocorre após o fabricante acumular aproximadamente 400 aeronaves produzidas e aguardando o início das entregas. “Declaramos anteriormente que avaliaríamos continuamente nossos planos de produção caso o aterramento do MAX continuasse mais do que esperávamos. Como resultado dessa avaliação contínua, decidimos priorizar a entrega de aeronaves armazenadas e suspender temporariamente a produção no programa 737 a partir do próximo mês”, afirmou a Boeing em comunicado.

A paralisação na produção do 737 MAX deverá gerar um efeito cascata no setor aeroespacial, em especial nos fornecedores diretos do modelo. A Spirit Aerosystems, responsável pela produção de grande parte da estrutura da fuselagem do 737, possui quase 50% de suas receitas atreladas ao modelo. Em nota a fabricante afirmou que está trabalhando em estreita colaboração com a Boeing para determinar qual o impacto da suspensão da produção. A suspensão ainda deverá afetar gigantes como a CFM International, responsável pelos motores, assim como pequenos fornecedores, como fabricantes de tecidos para as poltronas. A expectativa é que as perdas, apenas da Boeing com o programa 737 MAX já tenham superado a marca dos US$ 8 bilhões.

Em meados do ano a Boeing havia reservado aproximadamente US$ 5 bilhões para compensar as empresas aéreas pela paralisação da frota global do 737 MAX. Todavia, o valor previa o retorno dos voos comerciais até o final de dezembro, algo que não será mais possível.

Um dos impactos iniciais durante a retomada das entregas será a necessidade de uma completa revisão dos aviões que estão em solo, mesmo os que jamais voaram, visto ser imperativo cumprir protocolos de manutenção em aeronaves que ficaram armazenadas por longos períodos.

Em nota a Boeing afirma que “devolver com segurança o 737 MAX ao serviço é nossa principal prioridade”, e que trabalha para que a retomada dos voos ocorra de acordo com as normas e supere os requisitos de segurança.

Fonte: Aero Magazine 17/12/2019

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