A startup norte-americana Otto Aviation, realizou com sucesso a primeira fase da campanha de ensaios em voo com o Celera 500L, um monomotor que promete consumir oito vezes menos combustível que um avião a jato similar.

O destaque é o conceito aerodinâmico que emprega um avançado estudo de fluxo laminar. A solução permite um arrasto mínimo em toda superfície da aeronave ao apresentar um deslocamento suave do fluxo de ar com pouca ou nenhuma interação com as camadas contíguas. O design avançado da fuselagem proporciona uma redução no arrasto de até 59% quando comparado a uma aeronave com projeto convencional.

Para se ter uma ideia da eficiência do projeto, os dados iniciais apontam que o Celera 500L tem uma taxa de planeio de 22:1 (para cada metro que a aeronave desce ela avança 22 metros) enquanto aeronaves similares a taxa de planeio de aproximadamente 9:1. Voando em uma altitude de 30.000 pés o Celera 500L pode voar até 200 quilômetros sem potência do motor, aproximadamente três vezes superior as aeronaves turbo-hélice ou jatos leves da mesma categoria.

A aeronave é impulsionada por um motor V12 com bloco de alumínio, que oferece 500 hp e 6.134 cilindradas, produzido pela alemã RED Aircraft. O propulsor pode ser alimentado com querosene de aviação ou diesel. O uso de um motor convencional se tornou viável, no lugar de um motor a jato ou turbo-hélice, graças ao menor arrasto do Celera 500L, aliado ao projeto que prevê um custo operacional na ordem de US$ 328 (R$ 1.801) por hora de voo, ante mais de US$ 2.100 (R$ 11.500) de aeronaves com capacidade similar.

O baixo custo operacional poderá tornar o uso de aeronaves particulares uma realidade para muitos usuários da aviação comercial ao oferecer um preço por assento próximo a tarifa cheia de um bilhete aéreo.

“Em muitos casos indivíduos e famílias poderão fretar o Celera 500L com preços comparáveis às tarifas aéreas comerciais, mas com a conveniência adicional da aviação de negócios”, afirma William Otto, presidente e projetista-chefe da Otto Aviation. “Nós acreditamos que quando o preço das viagens aéreas particulares for competitivo com as viagens aéreas comerciais surgirá uma enorme oportunidade de mercado”.

Fonte: Aero Magazine 28/08/2020 

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